Lucy in the Sky with Diamonds
Kaleidoscope Eyes see things as they really are...!


Terça-feira, Julho 15, 2003  

CANNABIS ONIRICUS

Hoje sonhei que estava fumando maconha com minha amiga Virgo e que a minha mãe apareceu e fez um escândalo. Fiquei com ressaca moral o resto do sonho todo, até acordar atrasada para trabalhar. O alívio de constatar que era tão somente um sonho foi muito maior do que o susto por ter acordado meia hora depois do devido.

Enquanto escovava os dentes, pensei, “Tanto barulho por causa de um baseado! Imagina se ela soubesse dos ácidos e balas e ketaminas?!” E tive a certeza de que, se fosse meu pai a me visitar no sonho, provavelmente ele pediria um tapinha.

Como é que eu posso ter saído de duas criaturas tão diferentes ? Deveria haver um tipo de incompatibilidade genética entre eles que impossibilitasse a formação de um embrião. Como aconteceria se uma girafa cruzasse com um faisão.

posted by Kaleidoscope Eyes | 1:03 PM


Quarta-feira, Julho 09, 2003  

RECORDE
Hoje atingirei uma marca histórica nesses dois anos e quatro meses de quartas-feiras de maconha: completo um mês e uma semana sem dar um dois durante os encontros.

Não estou fazendo o menor esforço. Não sinto nenhuma vontade, mesmo. E ainda é muito, mas muito engraçado ver os meus amigos chapadões e de olhos vermelhos!

Isto me faz agüentar ficar acordada do começo ao fim do encontro. Me deixa mais serena, também. E trabalhar na quinta-feira deixou de ser um suplício.

Mas depois de tomar uma xícara de café extra-forte (que é um narcótico neoliberal!), o sinal vermelho ascendeu: estaria eu encaretando??? É legal trocar baseados numa noite com amigos por cafezinho corporativo durante o expediente???

Morro de medo de encaretar. Acho que, mesmo que eu deixe de fumar maconha com freqüência, passarei o resto da vida me obrigando a dar pelo menos um alô num beck uma vez por semana, para jamais perder o muito necessário hábito de desobedecer leis. Fico pensando que talvez minha mãe tenha deixado de ser a riponga da juventude para ser a perua que é hoje quando deixou de dar seus tapinhas.

Só não estou seriamente preocupada com a minha integridade rebelde porque ainda não imagino a minha existência sem o bom e velho ÁCIDO LISÉRGICO.

posted by Kaleidoscope Eyes | 2:14 PM


Quarta-feira, Junho 25, 2003  


GONZO JOURNALISM!!!
Por Alexandre Matias para a revista Play (fevereiro de 2002):

Crianças: não existe jornalismo gonzo sem drogas. Vertente beat do new journalism de Norman Mailer e Tom Wolfe, o gonzo foi criado por Hunter S.Thompson para justificar sua vontade de se entupir de substâncias alteradoras da realidade, mas é, desde sempre, jornalismo. O assunto principal não é o repórter, como julga uma geração online que se diz gonzo apenas para justificar a sua vaidade e ego. Opinião é resenha, camaradas, com ou sem primeira pessoa. Um bom exemplo de reportagem chapada é Paraíso
da Fumaça (Conrad Livros), memórias (na medida do possível) de redação de Chris Simunek, editor de cultivo da revista High Times (a Bíblia do dedo amarelo). Ele acompanha a turnê dos Sex Pistols, freqüenta encontros dos Maconheiros Anônimos, de motoqueiros barra-pesada e da Rainbow Family, vai à Jamaica em busca do "verdadeiro Bob Marley" e questiona-se sobre os rumos do
heavy metal. Fuma um monte de maconha o tempo todo, enquanto aproveita a mostrar toda devoção à erva e elocubrar sobre o antigo caso de amor entre a cannabis e o cérebro humano. Mas o livro é, no fim, um retrato dos Estados Unidos aos olhos de um fora-da-lei convicto. Em todas suas viagens, Chris foi fundo no assunto abordado para fazer o leitor ver o que ele viu com seus
olhos vermelhos. Jornalismo ganja, Paraíso da Fumaça não se desprende do assunto e a "autoconfiança (ou arrogância?)" das pirações do autor ajudam a desvendar um país que trocou sexo, drogas e rock'n'roll, por "Aids, a Guerra Contra as Drogas e a MTV".


posted by Kaleidoscope Eyes | 11:43 AM


Terça-feira, Junho 24, 2003  


D0
D0, porque D2 é o que não anda acontecendo. Nem nas quartas-feiras de fumetagem.

Estou abstêmica de maconha como não acontece há uns dois anos. Em duas semanas só fumei uma vez.

Acho que é o inverno. Ano passado foi quando esfriou que eu consegui ficar cinco meses sem tomar ácido.

posted by Kaleidoscope Eyes | 9:00 AM
 


AZEITONAS
Durante uma festinha na casa de papai, na semana passada, confirmei o que havia suspeitado durante a sessão de ayahuasca: este vinho alucinógeno de sabor horrendo lembra azeitonas pretas.

Só de OLHAR para elas na alegre mesa de frios de papai me dava ânsia de vômito!

Ainda leva uma cara para eu conseguir tomar aquilo de novo. Preciso me esquecer completamente do gosto. Quero que isso aconteça logo, porque achei todo o resto da experiência absolutamente fantástico.

posted by Kaleidoscope Eyes | 8:55 AM


Quinta-feira, Junho 12, 2003  


DIA DOS NAMORADOS
No dia em que tomei o cristal de ácido, foi em cima de uma folha de papel contendo a letra da música "Fill Your Heart", de David Bowie, que eu tive a maior alucinação da minha vida. Como, além disso, a letra expressa amor espiritualizado, faço dela a minha mensagem para o Dia dos Namorados!

FILL YOUR HEART
(Biff Rose/Paul Williams)

Fill your heart with love today
Don't play the game of time
Things that happened in the past
Only happened in your mind
Only in your Mind, forget your Mind
And you'll be free, yeah
The writing is on the wall
Free, yeah, and you can know it all

If you choose, just remember
Lovers never lose
'Cause they are free of thoughts unpure
And of thoughts unkind
Gentleness clears the soul
Love cleans the mind
And makes it free

Happiness is happening
The dragons have been bled
Gentleness is everywhere
Fear is just in your head
Only in your head
Fear is in your head
Only in your head
So forget your head
And you'll be free, yeah
The writing's on the wall
Free, yeah, and you can know it all

If you choose, just remember
Lovers never lose
'Cause they are free of thoughts unpure
And of thoughts unkind
Gentleness clears the soul
Love cleans the mind
And makes you free!


posted by Kaleidoscope Eyes | 8:27 AM


Sexta-feira, Junho 06, 2003  


PODERES ADQUIRIDOS
Desde o ritual da ayahuasca, fumar um baseado nunca mais foi a mesma coisa. Atualmente, bate como skank.

De modo que o grande barato do final de semana será dar um dois ao som da cítara do Shankar, que por sinal anda pintando umas viagens poderosas no meu estado consciencial.

posted by Kaleidoscope Eyes | 1:59 PM
 


TETO PRETO LITERÁRIO
Anda acontecendo comigo um fenômeno deveras bizarro.

Quando eu começo a ler algum texto interessante, meus pensamentos começam a vagar por assuntos outros de uma forma tão louca que meus olhos estão passando pelas palavras escritas mas a minha mente não está lendo nada.

É muito fascinante, porque são nesses momentos que eu me flagro num estado de intensa meditação e paz de espírito. Mas também me irrita um bocado, porque eu não consigo registrar nenhuma informação escrita! O que atrapalha o andamento das minhas leituras.

Curiosamente, é uma estranheza que me acomete exatamente num momento da minha vida em que música tem sido tão importante para a minha alma quanto oxigênio o é para as minhas células. Será que estou trocando notas escritas pelas musicais?

(Espero que não, porque com as palavras eu me entendo, mas como musicista eu seria um desastre!)

posted by Kaleidoscope Eyes | 1:52 PM


Terça-feira, Junho 03, 2003  


O ORIENTE ENCONTRA O OCIDENTE
Ontem comprei em CD o que papai costumava escutar em vinil: "West Meets East", as históricas sessões do mestre da cítara Ravi Shankar com o virtuose do violino Yehudin Menuhin, gravadas nos anos 60.

Nada, nada, mas aboslutamente NADA pode ser mais bonito, meu Deus.

Pela primeira vez na vida trouxe um CD para escutar no trabalho. Na faixa "Raga Ananda Bhairava", quando Shankar toca sozinho com Alla Rakha na tabla por quase dezesseis minutos, eu simplesmente páro de fazer o que estou fazendo e me perco em delírios transcendentais.

Imagino o que será de mim quando escutar o álbum ao sabor de ácido. Honestamente, nem sei se precisa.

posted by Kaleidoscope Eyes | 1:57 PM


Domingo, Junho 01, 2003  


GRATEFUL AT HOME
A ayahuasca abriu minha antena parabólica energética. Resultado: hipersensibilidade. De repente ficar em casa parece um excelente programa de final de semana. Sobretudo quando Deadhead sugere mais uma sessão de Grateful Dead no vídeo.

Eu, ele e nosso amigo Respect fumamos um indefectível clone e mergulhamos em cerca de duas horas do mais puro rock psicodélico - o segundo mais curto da filmografia, avisa Deadhead. O show data de 1989 e foi feito no Radio City Music Hall, em Nova York. Os jams são intermináveis, com músicos em transe absoluto. Entre "Roll on the dew" e "Fire on the mountain" os dois bateristas fazem as maiores loucuras com as baquetas, chegando a migrar para um círculo de tambores pendurado no ar!!!

Eu e Deadhead achamos que o Rob Weir tem cabelo de Playmobil e que o Jerry Garcia parece um Ewok ou um urso coala. Mas de modo geral me impressiona o fato de que, com exceção de Jerry e de um dos bateristas, os outros integrantes do Grateful Dead parecem homens tão normais quanto um nerd. O que não procede, tendo em vista o nível de lisergia do som deles.

posted by Kaleidoscope Eyes | 4:22 PM


Quinta-feira, Maio 29, 2003  


NAMORO COM JUREMA
De um e-mail enviado para uma amiga há dois minutos atrás:

Bom dia, linda Astral!

Acabei de voltar do ritual... foi de meia-noite até 8 da manhã... vim direto de lá pro trabalho...

Foi coisa de outro mundo, muito parecido com peiote. As alucinações são COMOVENTES, muitas cores mesmo no escuro, olfato sensível, audição mais ainda - coloquei um CD com cítara e todo mundo DECOLOU... quase chorei...!

A ayahuasca tem O PIOR SABOR QUE EU JÁ PROVEI NA MINHA VIDA... mas só depois da segunda dose eu consegui vomitar. É parte natural da experiência, e depois que acontece somos ARRASTADOS pela corrente psicodélica. Foi muito roots, selvagem mesmo, senti que estava botando para fora todas as energias estagnadas no meu corpo...

Então logo depois vi o céu tremer em azul, verde e rosa, mil túneis fractais multicoloridos, Natureza vivíssima... precisei sentar no gramado para não cair, de tão alucinada... Jurema é para os valentes...

Agora que passou, estou num estado de PAZ SUPREMA, INABALÁVEL. FELICIDADE É PAZ.

Ainda vejo tudo diferente... para completar, estou exausta, não durmo há um dia e não como há quase dois.

Desde já consigo perceber que eu não sou a mesma pessoa de 24 horas atrás.

posted by Kaleidoscope Eyes | 12:01 PM


Quarta-feira, Maio 28, 2003  


MATA VIRGEM
Hoje meu muito querido amigo Iluminado faz aniversário, e comemorará com um ritual de ayahuasca em seu sítio.

O grupo é pequeno, a ayahuasca vem direto da Amazônia e um guia orientará o ritual. Mas estaremos livres para nos manifestar como quisermos, colocar as músicas que escolhermos.

É a minha primeira vez com ayahuasca. Desde ontem estou de jejum - apenas frutas são permitidas - e estou confortável com a possibilidade de eventuais vômitos ou ondas de pânico. Como diz Terence McKenna:

Êxtase é uma emoção complexa que contém elementos de medo, triunfo, empatia e pavor. O que substituiu nosso pré-histórico conceito do êxtase é a palavra “conforto”, uma idéia tremendamente asséptica, letárgica. Drogas não são confortáveis, e qualquer um que pense que elas são uma forma de conforto ou escapismo não deveria tomá-las até que tenham coragem de lidar com as coisas como elas realmente são.

De modo que estou entrando de peito aberto na experiência.

posted by Kaleidoscope Eyes | 1:07 PM


Sexta-feira, Maio 23, 2003  


LIKE A PRAYER
“Eu sei que existiram alguns químicos de LSD que jamais produziriam ácido sem que oferecessem orações pela segurança das pessoas que o usariam. Eles esperavam que atuasse como um bom remédio ao redor do mundo”
– Leonard Pickard, químico underground, na revista Rolling Stone, julho de 2001

posted by Kaleidoscope Eyes | 9:50 AM


Quarta-feira, Maio 21, 2003  


PAPAI SABE TUDO
Ontem fui visitar meu pai, um autêntico psicodélico dos anos 70.

Papai casou com mamãe com um fraque amarelo-Kodak, camisa laranja de bolinhas azuis, cravo azul-turquesa na lapela, tamancos de madeira, barba e cabelos compridos. Hoje, aos 55 anos, mora e exerce Arquitetura e Artes Plásticas em Santa Teresa, recusa-se a usar terno, ama a natureza, fala mal da sociedade de consumo... enfim, continua de cabelos compridos.

Conversávamos sobre Arte - papai nunca entendeu como alguns pintores modernos puderam ficar ricos a partir de formas não-estéticas. Então eu perguntei:

- Ácido aguçou a sua percepção sobre beleza e simetria?

Ele:

- Não saberia dizer, só tomei ácido uma vez, não foi tão forte.

Então, com a tranqüilidade típica dos momentos certos, eu disse:

- Pois eu já tomei alguns ácidos na vida, e posso te dizer que o meu senso estético deu um salto quântico com isso.

Papai olhou para mim tão sereno como eu própria estava, ensaiou um bonito sorriso e me pediu para contar mais.

Então falei que havia mais de dois anos que eu tomava ácido, e que para mim era uma experiência sobre beleza enquanto manifestação do divino, e que também me conectava com o umbigo de Gaia, e que não devemos nos esquecer que LSD foi inventado para atuar como um remédio no desbravamento das dimensões do ser-humano, e que me espiritualizou montes. Papai só balançava a cabeça, acertivo.

Falei que o ácido de hoje em dia é dez vezes mais fraco do que o de sua época, mas não resisti e contei sobre o dia em que o cristal caiu na minha mão. Fiz uma narrativa apaixonada e corajosa sobre todo o espectro de alucinações que eu enfrentei.

- Pai, eu via as fórmulas matemáticas, geométricas, trigonométricas, no rosto das pessoas - o segredo da beleza humana. Eu andava pelo gramado, por entre as árvores, e eu estava num quadro de Van Gogh. Fractais saíam um de dentro do outro sem parar, cores e mais cores e mais cores nunca antes vistas, palavras sem nexo se repetindo na minha cabeça a todo momento... teve uma hora, pai, que eu estava escutando música, era "Vincent", do Don McLean, e eu simplesmente me sentei no chão e comecei a chorar de beleza... ERA TUDO MUITO BONITO, PAI...!

Ele se arrepiou todo nessa hora. E depois falou, enigmático:

- Eu ainda estou vivo... por que não?

De modo que pressinto que o destino ainda me dará a honra de ter uma trip de ácido com ele.

posted by Kaleidoscope Eyes | 10:40 AM


Terça-feira, Maio 20, 2003  


LSDIDÁTICO
Acredita-se que a maior parte do ácido consumido nos últimos trinta anos foi produzida em laboratórios clandestinos e temporários localizados na Bay Area de São Francisco, a qual os agentes anti-drogas da Califórinia chama de “acid triangle” (...)

O LSD de hoje possui uma dosagem muito menor – aproximadamente 20 microgramas, contra as 200 microgramas que August Owsley Stanley III fabricava como “orange sunshine” nos anos 60. É mais uma doideirinha de festa do que uma trip de oito horas. “Triple set – LSD que é refinado três vezes para aumentar seu nível de pureza – é muito mais raro hoje em dia”, diz Dave Tresmontan, agente especial do California Bureau of Narcotic´s Enforcement´s San Francisco. “O LSD atualmente vendido tende a ser um pouco mais sujo e nem de perto tão sofisticado quanto um dia foi”.

- Revista Rolling Stone, julho de 2001

posted by Kaleidoscope Eyes | 8:15 AM
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